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riscos_e_rabiscos

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O “Plano”

 

 

Ouvi por aí um burburinho a dizer que a violência não tinha aumentado em Portugal, que o pessoal anda a ver é muitos filmes.
 
E eu até concordo. Começando pela minha aventura matinal de sexta-feira… Digam lá que aquilo não foi uma cena de filme? Eu até podia ser um Anjo de Charlie disfarçado de teacher. Imaginem lá eu a fazer piruetas no ar para me safar a um possível atropelamento ou a um choque de bólides!!! E ainda mais… desatar a correr atrás do carro do outro para obrigar a cumprir as regras do código da estrada… Isso é que era! Uau! Tinha sido um sucesso de bilheteira, quer dizer, um falanço da vizinhança em geral.
 
Mas isto não fica por aqui. Motivada e inspirada pela não-violência existente no nosso belo país à beira-mar plantado, achei que deveria fazer algo para animar as hostes. É que esta vidinha anda mesmo monótona, não acontece nada…
 
Ainda ontem vinha do metro uma senhora a bradar aos sete ventos, toda radiante, que pensava que ia ser assaltada por um sujeito mas que afinal não… O que tinha sentido nas suas costas não era a ponta de uma arma mas sim a ponta da mala do senhor. Depois, a pobre mulherzita, caiu na realidade e viu que tinha sido enganada. Isto não se faz… uma pessoa à espera de uma coisa e depois sai outra!
 
Mas como eu estava a dizer, decidi fazer algo para tentar fazer sair o pessoal deste marasmo. Fui ao videoclube, aluguei todos os filmes possíveis e imaginários relacionados com aquilo que tinha em mente e fui abastecer-me de pipocas, batatas fritas e outras coisas de roer. Mas não digam a ninguém! Shiu!
 
Passei todo o fim-de-semana nisto. E cada vez que via um filme mais claro e delineado ficava na minha mente “o plano”.
Pensei, reflecti, tracejei, rabisquei e, por fim. Achei que aquilo tinha pernas para andar.
 
Fui comprar uma peruca loira, uns óculos escuros maiores que a minha cara, uma gabardine creme e um baton vermelho. Sim, porque uma gaja tem de estar bem em qualquer ocasião. Ensaiei “o plano” em casa até estar satisfeita como o tom e convicção da voz.
 
Mal saio à rua e entro no carro, sou inundada pela rádio de várias notícias de assaltos aqui e acolá. Fiquei para morrer. Mas afinal o que se passa aqui? Esteve toda a gente a fazer o mesmo que eu no fim-de-semana? Ou será que me roubaram “o plano”? Desconfio é que ando a ser enganada quando me dizem que não se passa nada, e que não há violência e tal e coiso… então em que ficamos?!